Mudei de casa, mudei de vida.

Curiosamente agora tenho uma casa menor, mas sinto-me mais leve.

TUDO o que realmente importa eu trouxe comigo. E sim…Deixei muitas coisa para trás.

Dei muita roupa, muitos sapatos, muitas coisas supérfluas que só ocupavam espaço e das quais já não fazia uso.

Por outro lado essas mesmas coisas que deixaram de fazer sentido para mim, acredito que possam ser úteis para outras pessoas, e só por isso valeu a pena doá-las.

Se pudéssemos dar titulos aos meses, o da minha vida em outubro foi  “ A morte dos excessos”.

Senti problemas de consciência. Perguntei-me porque acumulei eu tantas coisas: – Roupa, sapatos, malas… – Recusei-me a fazer contas, aí sim ficaria doente de perceber o que deixei de juntar por mais um trapo. Dinheiro que pode fazer falta no futuro, para mim, para o meu filho ou que pode ser melhor aplicado numa viagem, num curso ou em algo que alimente o espírito.

Acho que ver tantas caixas empilhadas na sala, e os funcionários da empresa de mudanças um dia inteiro a carregar coisas, foram grandes lições.

Desde a mudança não fui mais a centros comerciais e no supermercado só tenho comprado o que sei que vou consumir.

O culminar desta aprendizagem foi o convite para apresentar um livro chamado “Desperdício zero na cozinha”. Um livro que fala de como aproveitar todo o potencial dos alimentos em vez de deitar metade fora, quando tanta gente passa fome pelo mundo, e os solos têm um poder limitado de produção.

Tudo isto me deu que pensar, sobretudo em que parecemos robôs a consumir, e na maior parte das vezes o fazemos por compulsão e não por necessidade. Como se comprar preenchesse um vazio que tem outros nomes – solidão, frustração, tristeza…

Como se o “ter” pudesse alguma vez substituir o “ser”.

A compras são como os doces, um prazer que se esgota rápido e que no fim nos deixa insatisfeitos de novo. Além de que com menos dinheiro ou com mais uns quilos…

Tenho descoberto novos prazeres – Troquei a imensa mesa de jantar por uma secretária maior para trabalhar. Tenho os armários mais arrumados e por isso descubro melhor o que quero vestir e sobretudo tenho espaços vazios.

Vazios para acolher o novo, o bom que posso querer agarrar e que ainda está por vir.

De vez em quando faz bem praticar o desapego. Livrar-se do que já não faz falta e viver com menos.

Aí sobra tempo e espaço para o que realmente importa. Li por acaso, ou não, porque não há coincidências, a seguinte frase: – “Seja forte o suficiente para abrir mão do que não lhe serve mais, e paciente o suficiente para esperar por aquilo que você merece”.

Um dia chega!