Com certeza já ouviram falar nas dores de crescimento nas crianças. Dores intensas nas pernas e nos braços que ninguém sabe bem explicar. Não dão febre, nem náuseas, nem outros sintomas e vão e vem com frequência incerta.

Alguns livros falam em falta de suporte psicológico num crescimento demasiado rápido.

Talvez seja isso, falta de segurança para se desenvolverem a tamanha velocidade!

Mas essas dores podem ocorrer também em nós adultos, não de forma física mas emocional.

Tornar-se adulto (o que nem sempre tem a ver com a idade) implica assumir responsabilidades, fazer escolhas e sobretudo assumi-las para o bem e para o mal.

Crescer é ver a realidade como ela é, e às vezes ela consegue ser tão dura ou contrária aos nossos desejos, que é preferível ignorá-la.

Crescer é olhar para o que nos fez (ou faz) sofrer, aceitar e ter coragem de mudar.

Isso dói porque pode implicar perdas. E sim o mundo é feito de perdas.

De ganhos também, mas quando nos dispomos a perder, normalmente, não sabemos disso.

É um exercício de confiança – “ eu aceito perder o que não me faz feliz sem qualquer garantia que a seguir venha algo melhor”. É difícil, é muito difícil. É preciso ter maturidade e confiar na vida.

Para quase todos nós controladores, que achamos que podemos prever e acautelar tudo é quase um acto de fé. É como dizer: – tapa os olhos e caminha, não te preocupes de não veres, é o coração que te vai guiar.

E se conseguirmos confiar ele guia-nos mesmo. O nosso corpo sabe, o nosso coração e os nossos sentidos também, todos sabem o que é melhor para nós. Às vezes o problema é a nossa cabeça que traça planos totalmente irrealistas.

Há uma frase que diz sabiamente – “cuidado com o que desejas pois podes consegui-lo!”

Sim às vezes o que queremos não é o que nos faz felizes, porque não são necessárias coisas grandiosas para nos sentirmos bem. O prazer da vida está quase sempre nas coisas simples.

O problema é que estamos tão desconectados da natureza, temos tanto barulho à nossa volta que não nos conseguimos escutar. Mas a nossa voz interior está lá.

Baixem o ruído e esforcem-se por ouvi-la. Sigam o vosso coração. Após as dores do crescimento vem as alegrias de fazer escolhas, ser autêntico e por isso muito mais feliz!