Todos temos as duas faces da moeda.

Às vezes perguntamo-nos o que são pessoas boas e pessoas más? Porque isso é muito subjectivo. A maioria de nós, mediante as situações quotidianas, pode ser melhor ou pior. Na normalidade não há extremos, não há os bonzinhos e os maus.

Ninguém é o tempo todo bom, nem ninguém (ou a maioria) não é, o tempo todo mau.

Vão dizer-me que conhecem alguém que é uma excepção, para o bem ou para o mal, e eu acredito! Há de facto pessoas extraordinárias, iluminadas, mas são muito poucas e no meu entender têm um nível de desenvolvimento espiritual acima da média.

E sim, também há pessoas “más como as cobras” que só se sentem bem a fazer o mal aos outros.

Normalmente são profundamente infelizes que por não se permitirem conviver com a sua raiva e frustração descarregam tudo em cima do próximo na esperança de se sentirem mais aliviadas e de terem atenção.

E conseguem-no, afinal todos nós acabamos por dar atenção a uma pessoa má, não vá ela fazer-nos alguma. Claro que não é uma atenção de qualidade, é uma atitude defensiva. Mas para quem nunca foi amado, é melhor ter má atenção do que não ter nada.

Mas os mais perigosos são aqueles que passam a vida toda a fazer-se passar pelo que não são.

E isto serve sobretudo a maldade, porque a maldade é feia, é inferior, então há que escondê-la.

São pessoas rancorosas que põe uma máscara de simpáticas e acessíveis, quando na verdade estão sempre a pensar como manipular os outros para atingir os seus objectivos, agredir para se sentirem importantes, diminuir para se valorizarem.

Os mais sofisticados são subtis e por isso só os conhecemos verdadeiramente em momentos de crise. Quando há um problema grave as máscaras caem, porque ninguém consegue fingir o tempo todo, e quando os sentimentos são levados ao limite, a nossa verdadeira natureza vêm ao de cima.

Há uma história muito gira de uma rã e de um escorpião, em que o segundo oferece-se para transportar a rã para a outra margem do rio. A rã desconfiada de inicio não aceita retorquindo que o escorpião a iria picar. O escorpião jura-lhe que não e lá a convence. Transporta-a com todo o cuidado nas suas costas até à outra margem. Quando está em terra firme a sã e salvo o escorpião pica a rã. Antes de morrer esta ainda tem tempo de perguntar – Porque me fizeste isto quando prometeste o contrário? – O escorpião responde – Porque é a minha natureza!

É isto! Há pessoas que têm uma natureza má, e só posso dizer o seguinte, muito cuidado com

Porque não perdoam, não esquecem, tem prazer em fazer mal e não mudam!

Não aceito desculpas do género “coitado teve uma infância horrível, ou têm uma vida muito difícil”. Nenhum argumento é válido para justificar o mal. E aqui sim, se vê a distinção entre as pessoas, porque também há muita gente que teve uma vida má, uma infância horrível e não é por isso que andam aí a prejudicar toda a gente. Pelo contrário, muitos tem até a capacidade de ajudar mais, porque sabem dar valor ao que já passaram.

Mais do que a história de vida, a natureza de cada um, determina a qualidade de uma pessoa, e quem é mau raramente muda, quem é bom graças a Deus costuma conservar-se assim! Nós os normais sobrevivemos entre actos beneméritos e alguns menos bonitos lá vamos levando a vida o melhor que podemos e sobretudo dormindo com a consciência tranquila.