Gosto da música alegre que se ouve pelas ruas, do cheirinho a castanhas assadas, do apelo à solidariedade e ao amor, das ruas e casa enfeitadas, das festas das crianças nas escolas, dos reencontros de amigos e familiares.

Mas acho que a solidariedade, a amizade e a tolerância não fazem sentido se forem só apregoadas e praticadas nesta época.

Irritam-me aquelas imagens fake com modelos lindos em anúncios de revistas onde se inventam famílias extremamente perfeitas e felizes. Em que todos se abraçam e beijam e participam em ceias com vestidos longos em casas fantásticas e extremamente quentes a julgar pela pouca roupa dos figurantes.

Quando se criam estes estereótipos de perfeição gera-se uma imensa frustração nas pessoas reais, porque a vida não é esse conto de fadas!

Ou pelo menos não o é para todos…

A vida também é feita dos que trabalham na consoada, dos emigrantes que não conseguem vir juntar-se aos seus, dos que estão em camas de hospitais ou simplesmente dos que têm chatices e discussões em famílias não tão perfeitas. E onde problemas comezinhos como -Se se vai para a casa da mãe ou da sogra, se a prima não faz nada enquanto nós lavamos a loiça toda, ou o tio que não vai porque não fala com o pai -Geram grandes angústias familiares.

O Natal pode lembrar-nos o que o amor nos dá todos os dias, e que é maravilhoso, ou o que o amor nos tira todos os dias, e é péssimo. As pessoas com quem nos zangamos, as que já partiram e sem as quais, nos sentimos incompletos, entre tantas outras coisas.

Para o bem e para o mal o Natal é um penso rápido. Prepara-se com semanas de antecedência mas esgota-se em breves momentos.

E então se foram bons há que gravá-los na memória, se foram stressantes é pontapeá-los da memória para fora!

De qualquer forma o que importa (seja Natal ou não, estejamos sozinhos ou acompanhados, felizes ou infelizes) é o aqui e o agora, o sabermos que estamos vivos, que temos saúde, e sobretudo que temos um passado para esquecer (ou recordar), um presente para viver e um futuro para conquistar!

O Natal pode ser só um dia, ou pode ser todos os dias! Depende do desejo de cada um.

Boas Festas com muito amor, pelos outros e especialmente por vocês próprios!