A propósito da palavra Joy (alegria, felicidade, prazer) e porque está no cinema um filme com esse nome ocorreu-me falar sobre o tema.

O título não é novo, Alexander Lowen, um psicanalista norte-americano já tinha explorado este assunto no seu livro Alegria, a Entrega ao corpo e à vida.

Hoje em dia comete-se o erro, quase capital, de associar Felicidade a dinheiro. Os nossos antepassados até defendiam sabiamente que “dinheiro não traz felicidade”. Mas no mundo consumista em que vivemos, essas ideias são para iludidos, hippies ou pessoas que porque tem tudo não sabem do que falam.

Eu própria quase já acreditei na máxima decorrente da primeira de que “o dinheiro não traz felicidade mas ajuda muito”.

Não vamos ser hipócritas, ter dinheiro é bom, poder viajar de vez em quando é óptimo. Ser assistido no melhor hospital pelos melhores médicos sem olhar a custos é uma segurança.

Mas à parte disso há muitas situações que me fazem reflectir sobre a relação entre bens materiais e a felicidade.

Há gurus, mestres espirituais e religiosos, como o Papa, que podiam ter tudo mas escolhem viver com pouco. No entanto irradiam uma serenidade, paz e amor que muitos milionários não aparentam.

Por algum motivo se fala nos “pobres meninos ricos”, aqueles que sempre tiveram tudo, a quem não lhes faltou nada materialmente, mas que emocionalmente foram tão pouco nutridos e privados de afecto.

Acho que as pessoas que nos cobiçam a roupa, o penteado, o carro, o marido ou os filhos, consciente ou inconscientemente cobiçam muito mais do que isso.

Essas são as justificações, o móbil palpável da inveja, mas na realidade o que elas cobiçam é o JOY – a tal alegria, luz interior, aquela imagem de que alguém é feliz, de que está bem na sua pele, de que está bem resolvido.

Sim porque a felicidade transborda!

Ela revela-se pelo corpo, pelos olhos, pelo sorriso e sobretudo pela generosidade.

Infelizmente há quem pense que ao se ser generoso se perde o poder pessoal -Quem tudo dá, tudo perde, é totó e será enganado e manipulado.

Mas não é necessariamente assim. Quem tudo dá… Realiza-se no acto de dar, e ao dar, no fundo recebe. Mais paz, mais luz e mais amor…

Há uma frase no Brasil que diz que “gentileza gera gentileza”, eu acrescento que amor gera amor e alegria gera ainda mais alegria.

Não são os bens que fazem as pessoas felizes. A alegria é nossa, são as outras pessoas de quem gostamos e que gostam de nós, são as vocações, as missões ou os caminhos de vida.

Voltando a Lowen ele acreditava que para se ter alegria era necessário ouvir o corpo. A alegria era o estado natural do nosso corpo, só possível quando o escutamos e respeitamos – “A alegria emerge como a essência do nosso verdadeiro ser”.

Por isso, procurem a vossa alegria de criança, a vossa luz interior, Joy and enjoy!