As relações entre nós e os nossos amigos nem sempre são fáceis.

São exactamente como o amor entre familiares ou entre casais. Têm os seus pontos altos, as suas crises e às vezes até as suas rupturas.

Quando temos amigos que nos acompanham desde a creche, ou perto disso, é normal que nem sempre estejamos em sintonia.

Não crescemos todos ao mesmo tempo, nem a vida nos dá lições por igual. Às vezes ela é mais suave para uns e mais madrasta para outros.

O nosso papel é tentar estar ao lado daqueles de quem mais gostamos sem nunca os deixarmos desistir. Mesmo que os vejamos perder tudo, devemos fazer tudo para que nunca percam o sorriso nem deixem de acreditar na vida.

É preciso compartilhar alegrias e bons momentos mas também estar lá quando os “nossos” mais precisam.

O problema é que às vezes seguimos caminhos tão diferentes que pás escolhas deles podem tornar-se aos nossos olhos incompreensíveis. Não é que as julguemos mas também não conseguimos apoiá-las. E às vezes para não os ferir ou mostrar o nosso desagrado acabamos por nos afastar.

Depois aparecem outras pessoas que têm mais a ver connosco, com o nosso percurso no momento e com a forma que escolhemos para estar na vida. Como não temos o dom de nos dividirmos acabamos por preferir estar com quem nos faz sentir bem, com quem nos compreende sem sequer precisarmos falar. Relações de dias que parecem amizades de uma vida.

E alguns dos amigos de sempre acabam por ficar esquecidos lá no baú de boas memórias, só isso porque no presente pouco ou nada têm a ver connosco.

É difícil conviver com pessoas com as quais perdemos a empatia, deixa de haver à-vontade para partilhar a nossa vida e até podemos sentir que aquela pessoa é nociva em certa medida para nós, aí não resta outra solução senão “ dar um tempo”.

Depois o destino por vezes acaba por nos surpreender e tudo muda. E aquela pessoa que parecia ter ficado para trás acaba por dar um salto quantitativo e qualitativo tão grande que temos vontade de a recolocar de novo na nossa vida.

Aí reconhecemos o velho amigo/a que fizemos, era por isso que gostávamos dele e é por isso que certamente voltamos a aproximar-nos com o mesmo entusiasmo da primeira vez, surpreendidos a cada nova descoberta que fazemos deles e orgulhosos das suas recentes vitórias.

Pode haver segundas, terceiras e até quartas oportunidades de causar uma primeira boa impressão. Não somos todos iguais, não crescemos em simultâneo mas podemos gostar uns dos outros e reconhecer /orgulharmo-nos das vitórias alheias. As vitórias dos nossos amigos, que na prática também são um bocadinho nossas!