Estive nos globos de Ouro no fim-de-semana, tal como vou a outros locais, outras vezes, pejados de figuras públicas.

Vou quando gosto, quando sei que tenho amigos que quero rever e sobretudo quando acredito que me vou divertir. Vou também porque qualquer local é uma oportunidade de observar comportamentos e de tirar conclusões.

E a cada dia que passa confirmo mais uma convicção que já tinha – É muito desgastante ser “figura pública”.

Nota-se uma clara diferença de quem está em festas e eventos por diversão de quem está a “trabalho”.

E de facto a maioria dos famosos estão a trabalho. E esse é sem dúvida, muito, muito cansativo.

Eles tem que chegar na hora certa e posicionar-se no lugar exacto. Tem de estar bem-dispostos e deslumbrantes. Não podem comer nem beber para não irem inchados e chegam a fazer dietas rigorosas tempos antes para estarem “no ponto”.

Ou seja são escravos das aparências. E isso para além de cansativo é vazio. Porque se esgota no momento em que o “tal” evento acaba.

De que adianta virem nas revistas se não se divertiram? Se não foram felizes?

Depois apesar de todos nós acharmos que eles estão lindos e maravilhosos, eles nunca acham, e infligem-se uma espécie de tortura mental  – eu podia estar melhor, fulano de tal está melhor vestido que eu, ou melhor penteado, ou mais magro ou melhor acompanhado e por aí vai.

Uma amiga minha, famosa, outro dia dizia-me que nunca devemos sair à rua de qualquer maneira porque nunca sabemos quem podemos encontrar. Ou seja mesmo que queira ir à mercearia da esquina tenho que estar impecavelmente maquilhada e penteada? E menos que uns sapatos saltos agulha é pouco?

Quem nos tira o prazer de podermos andar de ténis ou havaianas ou de usarmos a primeira roupa que tiramos do armário para ir às compras, tira-nos tudo!

Ser escrava da beleza e da imagem é algo que considero terrível. Porque nem sempre nos apetece perder tempo com a aparência, porque às vezes é preciso estar descontraído. E
porque a beleza não está apenas no que é produzido e artificial. E o pior de tudo é que, a maioria das pessoas que são escravas da imagem, são extremamente infelizes e sobretudo inseguras.

É claro que valorizo uma pessoa que tenha boa aparência, bom gosto e que sabe estar de acordo com as ocasiões onde se encontra, mas também é bom chegar a um local onde se nos apetece comer comemos, se nos apetecer beber bebemos e se nos apetecer dançar até cair para o lado o fazemos. Isto sem pensar que temos que ser os últimos a chegar e os primeiros a sair para sermos considerados importantes.

E curiosamente sabem o que verifico? É que quem é mais autêntico e seguro, é sempre quem é mais reconhecido, para além de ser muito mais feliz.

A segurança ganha-se no nosso interior e depois isso nota-se no nosso comportamento.

Adquiri-la pelo reconhecimento de terceiros é muito mais difícil.

Outro dia aconteceu uma situação que tem tudo a ver com isto, em Cannes, a actriz Julia Roberts (sem dúvida uma famosa feliz e por isso adorada por todos) cruzou a red carpet descalça. Ali ela não estava preocupada com as aparências mas em contraria-las. Ela protestava pelo facto de várias mulheres terem sido barradas no festival por estarem de sapatos sem salto. Ou seja quem na nossa sociedade não obedece a determinado padrão tende a ser excluído. E será que isso está certo? Não reside a beleza na diversidade? Com tanta repressão social é difícil ter personalidade própria e mantê-la.

Por isso saber estar com naturalidade e autenticidade é algo perturbadoramente simples, que só os fortes compreendem e fazem. Mas é muito mais pleno e gratificante. Tenha auto-estima suficiente para ser igual a si próprio, se os outros também gostarem, melhor!