No fim-de- semana estive no Rock in Rio (RIR). Um óptimo laboratório para observar comportamentos e sentir o poder dos grupos. A energia que emana de mais de 85 mil pessoas juntas é poderosa. Pessoas que só querem divertir-se e passar bons momentos. Uma vibe que quando canalizada para o bem é extremamente contagiante!

Fiquei à frente, bem pertinho do palco, sim… no meio da confusão! Gosto de estar no epicentro dos acontecimentos e queria cantar e dançar as músicas dos Maroon 5. Gosto muito do estilo pop deste grupo e como qualquer mulher de bom gosto, gosto também do Adam Levine, mas mesmo assim as duas miúdas à minha frente conseguiram, por várias vezes, desviar o foco da minha atenção do palco para elas.

As suas atitudes de adolescentes fizeram-me rir várias vezes. Tinham pouco mais de 18 anos e destacavam-se pelas suas alturas. Muito giras, de cabelos compridos, bem vestidas (até demais para quem vai para um concerto onde ainda por cima a chuva não deu tréguas) e extremamente maquilhadas.

Destoavam de facto naquele ambiente, com óculos de sol na cabeça, malas a tiracolo volumosas e a fazer uma grande ginástica para intercalarem entre mãos cigarros e os telemóveis que usavam para tirar selfies e fazer snapchats.

Interrogava-me sobre a utilidade dos óculos de sol nas suas cabeças quando no auge do concerto tive a resposta. Elas lá os puseram na cara e começaram a fazer um rol de caretas estudadas. Tudo devidamente registado com os telemóveis.

Escusado será dizer que no minuto seguinte o vídeo já estava no facebook e depois o foco da atenção delas era verificar quem lhes punha likes no vídeo.

Nada de muito extraordinário nos dias que correm. Mas o momento mais hilariante para mim foi quando ecoou a música “Moves like Jagger” que faz dançar até os mais sisudos. E o que é uma das miúdas fez? – Não. Não começou a cantar, Sim, sacou da mala enorme que tinha a tiracolo, um estojo com blush e pincel e começou a retocar a maquilhagem no meio de uma multidão aos saltos.

Aí sim tive que rir a bom rir, era de noite, uma escuridão imensa e ela preocupada com a maquilhagem. Não me lembro de ser assim aos 18 anos!

Mas depois olhei para mim e para as minhas amigas, todas já perto dos quarenta e pensei que também nunca diria há uns anos atrás que estaria no meio da multidão, horas a fio, mal jantada, de ténis e aos saltos num concerto de uma banda pop americana de teenagers.

Lembro-me antigamente dos meus amigos mais velhos dizerem que nesta idade o que sabia bem era fazer jantares em casa com amigos. Ou seja programas mais calminhos.

Talvez assim seja mas não para mim, e/ou não sempre.

Não há comportamentos padrão para esta ou para aquela idade. Não há fórmulas secretas para a felicidade.

Cada um sabe o que lhe faz bem, ou se não sabe deve procurar descobrir.

E ninguém nos pode dizer que aos 20 temos de gostar de música e aos 40 de jantares calminhos. É bom de vez em quando inverter o padrão generalizado de comportamento, sair do politicamente correcto.

É bom sentir a sofisticação dos 40 quando se tem 20.E é bom sentir a euforia dos 20 aos 40!

Não há idades para se ser feliz e cada um deve sê-lo quando e sobretudo como quiser.

As pontes para onde queremos ir, temos de ser nós a erguê-las, para margens onde escolhermos desembarcar.