Saí certa noite com duas amigas, pode-se dizer que formávamos um grupo interessante, elegantes, bem cuidadas e seguras, coisa que só a idade traz.

A idade também faz de uma mulher envergonhada uma mulher interessante, que sabe o que quer, que assume quem é e o que procura.

Saímos com o objetivo de nos divertir, dizer umas piadas, beber uns copos e dançar muito. Não tenho uma amiga que não adore dançar. Aliás talvez seja isso que explique o fato de as discotecas estarem sempre bem divididas, as mulheres na pista, e os homens nos bares à volta.

E portanto sendo estes os objetivos da noite pode-se dizer que fomos bem-sucedidas. Não íamos à procura de companhia masculina, ainda que se ela nos caísse no colo, e se ainda por cima fossem giros e com lábia, eram muito bem-vindos, mas isso não aconteceu.

Depois de estacionar o carro na garagem, no regresso a casa, fiz questão de me demorar especialmente no elevador bem servido por um espelho que ocupa uma das paredes do cubículo. Olhei-me de cima a baixo com ar crítico, como fazem algumas invejosas com que nos cruzamos por aí e pensei – será da roupa? Estou feia? Gorda?

Sinceramente, e não querendo ser convencida, não vi à minha frente nenhuma super modelo tipo Gisele Bundchen mas também não era invisível, eu se fosse homem repararia em mim!

Não me pareci mal e as minhas amigas estavam bem giras, mas nada.

Dias depois reparei que durante o dia muitos dos mesmos homens que andam na noite olham de forma diferente e interessados, o que me leva a crer que ou eu me visto melhor para trabalhar do que para sair à noite, ou então algo está errado.

Será que eles olham para nós como potenciais namoradas mas não como um flirt de uma noite? Para serem nossos namorados já se esforçavam mas para levar para a cama querem algo mais fácil?

Depois de vários dias de reflexão cheguei a uma conclusão, ter 30 anos assusta os homens. Nós somos frontais, sabemos o que queremos e sabemos rebater o que não gostamos. Os homens na noite não querem confrontos, querem facilidades. E Nada mais fácil do que dar uma grande tanga, a famosa “cantada” para os brasileiros a uma miúda de 20 e tal anos, é mais fácil e menos assustador.

Elas podem até recusar mas decerto não o farão de forma tão desconcertante. Além de que o estado de álcool avançado nem lhes permitirá raciocinar tão depressa assim. Eu sei, já tive vinte anos!

Mas penso que um homem espera de uma mulher o mesmo que esperamos deles, que nos despertem o interesse, que nos deem alguma luta e motivos para se manterem interessados. Aí as mais velhas levam vantagens. E em outras coisas também mas só sabe quem experimenta. Não me vou alongar em comentários aqui. Mas num mundo de fast food procurar algo mais sofisticado dá trabalho. Agora o que vos digo meus amigos é que nós não mordemos, e sim também gostamos de ser abordadas na noite, de que se metam connosco, só somos um bocadinho mais exigentes por isso por favor de forma elegante e de preferência com bom humor. Posto isto não há idades de ceder ou resistir, afinal somos todas mulheres.

Por isso (…)eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente(…)
Carlos Drummond de Andrade

P.S. e depois contem-nos se valeu a pena. As mulheres são sempre muito curiosas.