Esta é uma velha máxima que suscita muitas dúvidas. Só algo muito bom tem o poder de nos fazer sorrir, viver e sonhar. Mas também o poder de nos suscitar desconforto, medo da perda e angústia pelas saudades.

Já diz o ditado “não há mal que sempre dure nem bem que não se acabe”.

É assim mesmo, a vida é feita de ciclos, maus e tristes e bons e felizes e ambos fazem parte do nosso crescimento e evolução.

Talvez os maus sirvam para nos ensinar a dar valor à vida, e os bons para abrirmos o coração e pormos em prática o que aprendemos.

Quando se foi muito feliz num lugar, quando ele nos traz recordações intensas, pessoais e profissionais voltar é um ato de coragem. Um confronto connosco próprios.

Primeiro porque tudo muda e o que foi seguramente já não é, e nós também já não somos aquela pessoa. Somos o somatório daquela e de todas as experiências posteriores. E isso faz toda a diferença.

Depois porque com o tempo o nosso cérebro, por defesa ou inteligência emocional, costuma reter apenas o que foi bom e apagar o que não foi tão bom assim.

Por tudo isto esta viagem que fiz foi uma viagem física – de um continente para o outro – mas também emocional – de fora para dentro de mim própria.

Custa ver o quanto as coisas mudaram, o quanto a minha antiga cidade está cada vez mais insegura, o quanto as pessoas esperam no trânsito e o quanto a solidão pesa em famílias cada vez mais disfuncionais e desagregadas pela pressão dos empregos e das carreiras profissionais.

Custa ver pelos que se separaram e outrora eram felizes, pelos que antes eram amigos e agora se zangaram, pelo trabalho magnífico que tive e que agora é diferente.

Pelo amor verdadeiro e sincero que se vive aos 25 anos e que aos trinta e tal já é mais contido e desconfiado.

Por um somatório de coisas é perigoso voltar onde já se foi feliz, porque esses tempos não voltam e a menos que consigamos “ajeitar-nos” para nos sentir-nos felizes ali de novo, com outra realidade, outras premissas e expetativas, sairemos muito frustrados.

Cada vez mais acredito que quando passamos por momentos bons devemos vivê-los intensamente, pois eles serão a carga positiva que levaremos no nosso coração e na nossa memória para o futuro.

Mas quando passamos por momentos maus também devemos tentar aguentar, parar e pensar nos ensinamentos que isso nos traz, eles poder-nos-ão ser muito úteis de futuro.

Hoje tenho a oportunidade de reviver numa entrevista de um programa da Sic Internacional (que dá no Brasil e onde como emigrante também via regularmente as noticias do meu país) o que foi a minha vida no Brasil e quando vejo as fotos que me pediram, uma grande nostalgia me invade. Foi muito bom enquanto durou…Agora é outra vida. E será que como os gatos não podemos ter umas sete vidas? Vamos então aproveitá-las cada uma do seu jeito!

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